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Eduardo Salgueiro

Eduardo Salgueiro foi escolhido prefeito pela primeira Câmara Municipal, eleita em 1918, quando o distrito de Ourinhos foi elevado à condição de município. As eleições eram organizadas pelo juiz de paz, cargo exercido por Afonso Salgueiro, irmão de Eduardo. No período anterior à criação do município, Ourinhos foi administrada por subprefeitos indicados pela Câmara de Salto Grande. Fernando Foschini foi um desses subprefeitos, mas estava fora da administração quando morreu, em 1920. Uma tocaia na rua Paraná, em seu trecho final que se transformava na estrada para o Paraná e para a Fazenda Santa Maria, da qual era administrador. Salgueiro foi apontado como o mandante do crime e levado a julgamento.

 

O caso Foschini-Salgueiro apareceu na página 2 de O Estado, na edição de 7 de fevereiro de 1921. A notícia, atribuída à “redação d’A Razão”, é a seguinte: “Foram presos preventivamente nesta cidade, como mandantes do assassinato de Francisco [sic] Foschini e Antônio Pedro de Paula, o prefeito e presidente do diretório político local, Eduardo Salgueiro; seu irmão Afonso Salgueiro, 1° Juiz de Paz; José Antônio Rabello, vereador; e João Rodrigues, 2.1 Juiz de Paz. Como mandatários já se acham presos João Miguel de Ávila e Francisco Coelho, suplente de delegado desta cidade. Graças aos esforços do sr. dr. Paulo Barreiras, delegado de polícia desta cidade, está completamente elucidado este crime bárbaro e covarde praticado de emboscada […]”.

Em 23 de março de 1921, O Estado de S. Paulo transcreve uma nota de A Razão, de 6 de março, e que se refere ao atentado do qual Foschini escapou: “Inquérito sobre o atentado a Foschini, em 30 de outubro de 1919, foi presidido pelo dr. Armando Ferreira da Rosa, delegado regional de Botucatu. Apurou a responsabilidade de Eduardo Salgueiro como o mandante”.
Assim o caso foi visto pela imprensa. Já no fórum de Santa Cruz do Rio Pardo, os seus vestígios foram conseguidos a duras penas em um labirinto de caixas metálicas repletas de papéis velhos. Não se encontrou a íntegra do processo com todos os seus desdobramentos, mas sinais indicadores do que se sucedeu. O nome de Eduardo Salgueiro aparece no 64 Rol dos Culpados, livro n° 70, 1921/70, com uma indicação manuscrita ao lado: “Absolvido”.

O desfecho do caso não foi encontrado, apesar das consultas às atas do júri de 1922 a 1924. O que se sabe com certeza é que Eduardo Salgueiro voltou livre para casa depois de ter sido enquadrado no Artigo 294, Parágrafo 1º do Código Penal (de 1890), que trata de homicídio qualificado. Retomou seus negócios e manteve inalterados os vínculos que mantinha com políticos e autoridades da região. O Correio Paulistano, de 7 de julho de 1926, na seção “Mala do Interior”, informa: “O sr. Coronel Eduardo Salgueiro, representante da Standard, atendendo ao acréscimo […] do número de automóveis […], fez instalar em sua casa comercial uma bomba de gasolina […]”. O mesmo jornal voltou a mencioná-lo, sem esquecer o título honorífico de coronel, quando Ataliba Leonel visitou Ourinhos em campanha eleitoral.

A notícia, na edição de 15 de fevereiro de 1927, ressalta que “na residência do sr. Coronel Eduardo Salgueiro foi oferecido ao sr. Ataliba Leonel uma taça de champanhe […]”. Eduardo Salgueiro faleceu em 23 de novembro de 1932 de septicemia, segundo o atestado de óbito. Tinha 45 anos. Os dois jornais do município não estavam circulando devido à Revolução de 1932. Não há, portanto, registro de como a cidade reagiu a sua morte. Seus parentes e descendentes sempre gozaram da estima dos ourinhenses. Ironia do acaso: quase trinta anos mais tarde, em 1961, Benício do Espírito Santo, o homem que o substituiu na prefeitura em 1921, foi sepultado ao seu lado no cemitério.

 

Trecho retirado do livro de Jefferson Del Rios, “Ourinhos, memórias de uma cidade Paulista”.